MINDTRAP

Julho 13, 2006

Afinal sou diferente?

Antes demais nunca senti diferença em relação aquilo que sou, ou antes com quem me deito, comparando com a dita maioria. Não sei o que é preconceito, não sei o que é ser uma minoria. Sempre foi tudo tão normal, que até cansava...eheheh

Sempre fui muito ligado a ela. Conhecemo-nos no 1º ano da faculdade, faz agora 12 anos. E desde logo a empatia foi tão grande, que por pouco não foi consumada….
A vida foi correndo, ela casou numa cerimónia religiosa muito devota e profunda. Ambos montamos casa com quem amamos e ambos levamos uma vida normalíssima. Pelo menos aos meus olhos, e para 99% das pessoas que me rodeiam. Menos este 1 % que me agonia.
A minha vida afectiva, a pessoa com quem estou (e que ela conhece bem) sempre foram assunto tabu. Ou antes, foi passando a ser, a partir do momento que comecei a sentir que não era desejável eu falar muito “naquilo”.
Podia falar de tudo.
Menos o todo que eu sou.

Sexta ela faz anos. E novamente convidou-me só a mim. Como se eu fosse puro, casto e celibatário e vivesse num convento de franciscanos pés descalços em que andamos todos de mão dada e sorrimos muito quando nos sentamos….no selim.
Construí o meu mundo. A peneira naturalmente deixou cair pessoas que sabia que não se encaixavam nesse mundo – contam-se pelos dedos e realmente não interessavam – e agora há alguém que não aceita o meu mundo – alguém que veio de dentro desse pequeno mundo. Que sempre foi o mesmo. Que sempre foi rodeado por pessoas que me acompanham há décadas.
Foi preciso chegar aos 30, para sentir a diferença/preconceito?
Luto contra essa indiferença em relação à “diferença”?
Ou quem quer estar, está, quem não quer, que vá apanhar tomates para Espanha?

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